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Cotidiano

Desigualdade

487 acessos - 5 comentários

Publicado em 04/01/2012 pelo(a) Wiki Repórter Roberto Leal, Salvador - BA



Moradia em Terminal de onibus em Salvador - Foto: Roberto Leal
Desigualdade

“Viva Maria pisa papelão
amassando lembranças,
descalça fome caminha
com seu olhar criança.
Sob viadutos eliminados
a sociedade desova,
cidadãos aniquilados
caixotes feito cova.”

Por si só já e o poema que mais gosto, que mais identifica o meu próprio trabalho, não que seja o melhor, pois tenho outros trabalhos com a mesma pegada da caneta, com a mesma teclada e a mesma postura no mouse, postados com a convicção de que se procura pela perfeição poética. Mas, pelo que dizer de “Desigualdade” na figura de famílias inteiras brasileiras, que se reservam o direito de isolar-se da imposta civilização, da segregação do CPF; do passe limítrofe que e o RG; do beneficio Bolsa Escola que pode lhe calar a boca; do Vale Gás que dificilmente vai acender a chama; da carteira assinada com direito a FGTS e PIS... Isso reproduz uma certa sensação de liberdade desordenada ou de aparente indigência?
O poema retrata a mãe de família amassando o ganha pão, reduzindo o peso da sua responsabilidade, nas pisadas compassadas no amasso da madeira, que além de papel se transforma em dinheiro, para matar a fome, da fome que massacra a infância e a juventude de milhões de jovens brasileiros, cabisbaixos a margem de uma cidadania duvidosa... Que mesmo com o projeto Minha Casa Minha Vida, não se ergue a autoestima de todos e a casa dificilmente estará regularizada para receber a família desprotegida pela burocracia tupiniquim em tempo hábil, para não escafeder-se em vida...
Os viadutos das grandes capitais, das grandes Metrópoles, são condomínios superfaturados pelo sistema, onde se veem corpos desovados em pontos estratégicos da cidade, mutilados dos seus direitos e da real atenção que não acontece, não restando alternativa senão encarar a guerra, que as ruas nas maiores noites e demoradas horas de horror, proporciona a sobrevivência afiada junto à miséria, a fome e o descaso dos poderes públicos, que consumidos pela corrupção, vê no povo, na massa de manobra, a solução para os seus problemas. Vê nessa mesma miséria uma valorização do investimento publico e de direito...
E em “Desigualdade” não e diferente, e assim, o povo vivendo enterrado em caixotes de madeira e grandes caixas feitas colchão de papelão, travesseiro de isopor quebrado aos pedaços, cozinhando no malabarismo dos tijolinhos e de panela feita lata de tinta, onde em fogo brando a escassez material boia na abundancia liquida, esfumaçando no carvão de talas de madeira de lixo reciclável; entre cobertores de retalhos e sacos de utensílios, expostos ao edredom do ridículo, da descoberta inconstitucional, da humilhação posicionada nas lentes do universo turístico, que invade e explora essa mesma miséria de ruas, viadutos, marquises e sinaleiras...
De um país que não merece o que fazem com os seus cidadãos; com os seus idosos e com seus jovens também... Ainda escravizados e comercializados no mercado interno ao cambio de blocos, material esportivo, sacos de cimento, dentadura e requisição para exames; com direito a analfabetismo, desconhecimento, falta de cultura, desinformação, extrema desvalorização pessoal e mórbida pobreza. Onde o povo e feito resíduo, apresentado como resto, saldado como resquício e mostrado como retrato de uma nação onde uns têm demais e outros sobrevivem com bem menos aos olhos do mundo... E no enredo da peça Chacota Burguesa!

Roberto Leal
Jornalista (DRT/BA 3992)
ASCOM/Fundação Òmnira

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Todos deste(a) repórter

Publicado pelo(a) Wiki Repórter
Roberto Leal
Salvador - BA



Comentários
01
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Everaldo Oliveira Santos
Salvador - Ba 07/01/2012

Caro Roberto Leal

Com muita lucidez você retrata a crueldade de um sistema avassalador que a mídia - com todo o seu grau de conveniência - esconde. Opressora e visível realidade. Deveria haver um mínimo de siso dos que torcem pela permanência do caos e muito se locupletam com a situação. Mas o que ocorre aqui não é diferente do resto do País. Ele precisa de mais cestas para fazer jus a anunciada posição da outra sexta. Parabéns pelo brilhante artigo! - Everaldo Oliveira Santos.


 
02
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José Cupertino de santana Neto
Lauro de Freitas 04/01/2012

A face que nào recebe sol é isolada e posta ao ridìculo duma sequidào apenas visìvel porque ainda nao foi arrebatada pela chuva. Està bem à vista. Mas, por que é assim? Que càlice bebera essa gente para ser obrigada a fantasiar-se e transvertir-se de indig^encia para compor a abadia guiada por um sujeito indeterminado? Um apelo aos que vivem montado na grana e aos dirigentes do paìs: se nao pode ajudar, nào atrapalhem. Entreguem o que é de Cesar, do povo, meu. Vejam: violentamente pacìfico.


 
03
Reporte abuso
Dominique Alagbaro
Belo Horizonte 04/01/2012

Que texto rebentoso, que maravilha de narrativa para um problema social desse porte. Vejo jornalismo de qualidade em assuntos retratados com seriedade e a transparencia costumeira dos bons jornalistas.


 
04
Reporte abuso
Cosme Custódio
Salvador 04/01/2012

Roberto

Esse é o Brasil que não interessa aos políticos. Aliás, estão convictos de que é em parte, culpa deles.
Abraços,


 
05
Reporte abuso
Alberto Peixoto
Feira de Santana Bahia 04/01/2012

Infelizmente é a verdade nua e crua e a verdade sempre nos deixa chocados... Parabéns, Roberto, você tocou em um assunto muito importante. O Brasil alcançou a 6ª posição entre as economias mais desenvolvidas do mundo, mas a má distribuição de renda continua a mesma.


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