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Política

Como separar o joio do trigo?

495 acessos - 3 comentários

Publicado em 07/12/2009 pelo Wiki Repórter Soares, Divinópolis - MG





Muito dinheiro, algumas meias e cuecas. O mensalão de Arruda faz companhia aos de Lula e Azeredo. - Foto: Edição Soares

Mais um escândalo de corrupção, e os políticos de todos os naipes e cores partidárias logo se apressam em responsabilizar o "sistema político e eleitoral" pelo ocorrido. Afirmam que o atual sistema de financiamento eleitoral é imperfeito e a legislação é permissiva. É uma meia verdade, pois na mesma proporção e intensidade que se deve mudar a legislação, precisa ser alterado o caráter dos políticos. E isto é infinitamente mais difícil.

Realmente, o sistema político brasileiro não é um modelo a ser imitado, tem falhas gritantes, e precisa ser consertado, principalmente no que se refere à responsabilização e punição dos que cometem atos de improbidade administrativa, abuso de poder e assalto aos cofres públicos. Associado a isso, a consciência política do nosso povo é incipiente, o que leva à condescendência e, mesmo, à cumplicidade. O resultado dessa junção de políticos espertalhões com sociedade passiva é o que leva à cínica conclusão de que não existe governança sem uma dose de corrupção.

Isso tudo conduz os políticos a encararem a sua atividade muito mais como um meio de enriquecimento pessoal, lícito ou ilícito, do que como um instrumento de promoção do bem coletivo. Os atos de malversação dos recursos públicos e assalto ao erário se repetem e os malfeitores se sucedem, alicerçados numa impunidade crônica. Só para ficar nos exemplos mais conhecidos, Paulo Maluf, Orestes Quércia, Jader Barbalho, Newton Cardoso, Renan Calheiros, Fernando Collor, José Sarney, José Dirceu e José Genoino foram e continuam alvos de gravíssimas acusações, mas permanecem firmes e fortes politicamente, a desfilar poder e soberba.

A cada novo escândalo, parte da sociedade, desarticulada, manifesta revolta e indignação em sites, bares e blogs, mas não vai muito além disso. No mais recente escândalo, que envolveu cuecas, meias, panetones e muito dinheiro, os atos de revolta e indignação se limitaram a meia dúzia de pedidos de impeachment do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e da ação de uma dúzia de jovens ligados ao PSTU e ao PCdoB que protagonizaram cenas de vandalismo, falta de educação e destruição do patrimônio público, quando ocuparam a Assembléia Distrital do DF, movidos muito mais por disputas partidárias e ideológicas do que por qualquer sentimento de cidadania. O restante da sociedade acompanha o noticiário sobre o incidente passiva e anestesiada.

O fato é que, ironicamente, o mensalão de Arruda se juntou ao mensalão de Eduardo Azeredo e ao de Lula e sua turma. Em todos, uma característica comum: o uso sistemático de recursos públicos e privados para alimentar campanhas políticas e sustentar maiorias parlamentares de apoio aos governos.

Com o mensalão de Brasília, o Democratas, partido do governador Arruda, fechou o círculo de corrupção que vinha sendo desenhado pelo PT e aliados, e pelo PSDB. O discurso em defesa da moralidade e da ética que a oposição pretendia usar na futura campanha eleitoral, avivando na memória do eleitor os vários escândalos do governo Lula, perdeu o sentido e a oportunidade, uma vez que cada um dos dois principais partidos de oposição - PSDB e DEM - tem a sua carga de corrupção para carregar.

Dessa forma, visto que os principais partidos envolvidos na próxima campanha presidencial carregam o seu fardo, nada melhor para todos do que um prudente silêncio em relação ao tema, que ficará convenientemente guardado no fundo do armário de cada um. Com uma campanha eleitoral reforçada de cinismo e hipocrisia, mesmo o eleitor mais consciente, terá dificuldade de separar o joio do trigo.



http://blogdofasoares.blogspot.com



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Publicado pelo Wiki Repórter
Soares
Divinópolis - MG



Comentários
01
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nois é nois
nois 08/12/2009

(3ª e ultima parte...eu juro) Esses camaradas os quais você cita, eu os considero o CÂNCER DO SÉCULO, tamanha a desfaçatez desses crápulas. No meio desses urubus temos também um cangaceiro. Sempre que abordado pela imprensa, apenas diz... "estou trabalhando". Trabalho nunca foi seu forte, Zé Genoino.


 
02
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nois é nois
nois 08/12/2009

...mudou o discurso. Vamos admitir que ficasse o dito pelo não dito!! Seria apoio total à corrupção - mensalões da vida. Parece que sua assessoria teve bom senso e retirou-o do famoso discurso do vídeo cego. Caso uma imagem nada justifique, então vamos fazer fumaça e bater tambor, ignorar o progresso.


 
03
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nois é nois
nois 08/12/2009

Joguinho de cena. Nada vai além de meia duzia de indignações. Esses caras nunca vão pagar pelos erros cometidos. Homens iguais, quadrilhas iguias, eleitores iguais. Como separar o joio do trigo?? Nosso presidente, logo no começo do escândalo, foi complacente com os bandidos. Horas depois, alertado...(segue)


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