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Política

Otários e espertalhões

557 acessos - 2 comentários

Publicado em 30/06/2009 pelo Wiki Repórter Soares, Divinópolis - MG





Querem nos fazer de palhaços. - Foto: Edição Soares

Espertalhão [De esperto + -alhão.] - Adjetivo. 
1. Diz-se de homem esperto, finório, velhaco, astuto, malicioso; esperto.  Substantivo masculino.
2. Indivíduo espertalhão; esperto [Fem.: espertalhona.].

Otário. [Do lunf. otario, "homem ingênuo, de boa-fé".] Substantivo masculino.
1. Gír. Indivíduo tolo, simplório, fácil de ser enganado: Dicionário Aurélio Eletrônico:

"Gosto de levar vantagem em tudo, certo?"

Quem tem mais de 30 anos de idade provavelmente se lembra de um comercial de cigarro protagonizado pelo ex-jogador Gérson, autor do bordão acima. Por causa da frase, o craque ficou injustamente estigmatizado, mas a cultura da esperteza só fez crescer e se consolidar nas décadas seguintes. E neste início de século parece mais enraizada do que nunca.

De fato, a sociedade brasileira parece irremediavelmente dividida em duas categorias: os espertalhões e os otários. Os espertalhões são os que só fazem  tirar vantagem em tudo e estão pouco se lixando para o restante da sociedade. Sob a sua ótica, o outro só existe para ser devidamente explorado, humilhado, desprezado. Os otários somos todos que de uma forma espontânea ou compulsória, consciente ou inconsciente servimos aos espertos. Graças a nós, eles conseguem acumular fama, dinheiro ou poder. Ou as três coisas juntas.

Espertos são os políticos em geral, que encontram mil formas de se apropriar do dinheiro público, os funcionários públicos que exigem propina por serviços que deveriam ser gratuitos, os banqueiros que cobram juros e taxas bancárias exorbitantes, os padres e pastores que prometem o Reino dos Céus em troca dos generosos dízimos  de seus fiéis,  os charlatães de toda ordem que prometem a cura dos mais variados males, na proporção do que o cliente se dispõe a pagar. E os comerciantes que conscientemente vendem gato por lebre, ou seja, produtos falsificados, estragados, adulterados. Em comum, a promessa não cumprida da solução para as carências materiais, afetivas e espirituais. Desde que o outro esteja obrigado ou disposto a pagar.

Toda essa introdução é para dizer que essa democracia mal construída, associada ao desprezo secular pela educação, conduziu milhões de pessoas à situação de ignorância, carência material e passividade, campo propício para que os espertalhões atuem com desenvoltura incomum tanto no setor público quanto no privado. O governo Lula acentuou como nenhum outro esta tendência.

Lula construiu toda a sua bem-sucedida carreira no time dos espertos. Inicialmente, como líder sindicalista, depois como deputado federal, presidente de partido e presidente da República. Viveu e enriqueceu com o dinheiro público. No governo, não parou de praticar a política da esperteza, tanto na relação com seus aliados no Congresso - gente do porte de José Sarney, Jader Barbalho, Renan Calheiros, e Fernando Collor -, quanto na relação com a sociedade. Poderia ter investido em educação de qualidade, mas isto não se traduziria em nenhum ganho imediato. Preferiu adotar, como política social central o supra sumo da esperteza, ou seja, o mais puro assistencialismo traduzido na política do é dando (bolsas, cotas, geladeiras e tudo o mais ) que se recebe (votos ).

O Senado se transformou num antro de políticos experientes e astutos, viciados nas mais diversas práticas da malandragem. Lá, os espertalhões chefiados pelo mais esperto deles - José Sarney - produziram um sutil e secreto sistema para surrupiar o dinheiro público, sob a aparência de legalidade, que não seria descoberto não fosse uma disputa entre eles pelo poder da Casa.

É claro que uma grande parcela dos otários o são por sua livre escolha. Mas estes sempre existiram e existirão. São inocentes úteis tolos e ingênuos e parecem sempre dispostos a se deixar seduzir por algum estelionatário de plantão. São otários por vocação. Em relação a estes, pouca coisa pode ser feita. Afinal, a estultice é inerente a uma grande parcela da humanidade.

Quanto aos otários compulsórios - todos nós que pagamos ao erário cerca de 40% do que recebemos como fruto do nosso trabalho - algo ainda pode ser feito. Desde que nos disponhamos a sair do comodismo e da inércia e façamos valer a nossa condição de cidadãos. Para isso, mais do que  cobrar  dos nossos governantes um comportamento ético e republicano, exigir deles o compromisso do emprego correto dos impostos que, por dever, depositamos sob a sua responsabilidade. Isso significa não continuar a admitir que os sucessivos governos nos enfiem goela abaixo escolas de má qualidade, péssimo serviço de saúde, segurança precária e rodovias esburacadas. Do contrário, continuaremos eternamente sob a tutela dos espertalhões.

http://blogdofasoares.blogspot.com


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Publicado pelo Wiki Repórter
Soares
Divinópolis - MG



Comentários
01
Reporte abuso
Miriam
Cabo Frio 02/07/2009

É uma questão histórica / cultural, a da melandragem no Brasil. Vem desde os tempos de colônia. Os colonizadores queriam apenas usufruir do trabalho pesado dos escravos. Pegar no duro, eles não queriam. Veja o caso dos Estados Unidos. Lá aconteceu o contrário daqui. Os colonizadores construiram a sua riqueza pelo próprio suor e esforço. O fato é que no Brasil predomina a lei no menor esforço, da esperteza, da malandragem. Como aqui não existe punição para os que tentam lucrar fácil às custas dos demais, então os honestos são os otários.


 
02
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Augusto
Contagem 30/06/2009

Fui otário neste País aos 8 anos, com o AR (adicional reembolsável) uma campanha do governo. Foi a primeira vez que emprestei os meus trocados para a corja que manda no País. Mas vim aprendendo aos poucos. Mesmo assim me recuso a ser "esperto". Minha mãe não gostaria.


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