Atualizado 12h18 Sábado, 31 de agosto de 2013   |   Política de privacidade   |   Anuncie   |   Quem somos   |  
Logo JBWiki Logo JB Publicar Conteudo


O JBWiki! é um jornal online participativo, quem escreve é você!

Como funciona
1 Se você já tem cadastro, sua matéria é publicada na hora em pendentes
Cadastre-se
2 Se você não tem cadastro e quer enviar uma matéria, ela só é publicada depois de aprovação
Enviar matéria sem cadastro

Posts com vídeos

Tatuagem (Chico Buarque)
Publicado em 28/02/2012 pelo(a) wiki repórter Júlio Ferreira, Recife-PE
Guantanamera (Los Sabandeños)
Publicado em 28/02/2012 pelo(a) wiki repórter Júlio Ferreira, Recife-PE
O Artista (Trailer Legendado)
Publicado em 28/02/2012 pelo(a) wiki repórter Júlio Ferreira, Recife-PE
Cotidiano

Duas Meninas

308 acessos - 0 comentários

Publicado em 22/01/2012 pelo(a) Wiki Repórter aceemebe, Guarapuava - PR



A cruz de cada um - Foto: Divulgação Internet
Nota do autor: Qualquer relação com pessoas, vivas ou mortas, terá sido mera coincidência (ou não...).

ÉPOCA: Nossa história principia no inverno do ano de 1991.
PERSONAGENS: Karla e Carole, Josefina, Anselmo e Carlota
LOCAL: Cidade interiorana

Numa tarde de agosto...

Josefina: "Karla, Dona Carlota está reclamando das travessuras. Venha mais a Carole e me ajudem no serviço do jardim".

É uma bela tarde de inverno e Karla e Carole, no pleno vigor dos seus 14 e 10 anos, riem e correm despreocupadamente, não se importando nem um pouco com as advertências.

Josefina é mãe solteira e se esforça em dar uma vida satisfatória para as meninas.
Dona Carlota, pessoa muito prestativa e caridosa se preocupa com a situação de Josefina a quem conhece há muito tempo. Interessadas pelas meninas, Dona Carlota e Josefina analisam uma fórmula para a proteção e bom encaminhamento de Karla e Carole.

Foi assim que Karla passou a trabalhar na casa de uma filha do casal Anselmo e Carlota. Carole, com apenas 10 anos demonstra inusitado interesse para cuidar de crianças, e, tendo Karla deixado esse serviço, Carole substituiu a irmã.

Surgiu, então, a oportunidade para Karla passar a trabalhar em casa do casal Seu Anselmo e Dona Carlota. Com o decorrer do tempo, Karla passou a morar com o casal, e tudo ia muito bem. Karla continuava seus estudos e progredia dia-a-dia.
Crescia em graça e sabedoria e logo granjeou a simpatia geral. Inteligente, porém muito pouco falante, Karla se revela uma pessoa que ouve e se cala, fechando-se em si própria.

Seu Anselmo sempre via em Karla uma menina graciosa e prodigiosa e com o tempo passou a dedicar a Karla um sentimento de amor e especial carinho. Esse procedimento veio forçar uma maior aproximação entre Karla e Seu Anselmo, e, reciprocamente, criaram ambiente para que isso acontecesse.

Karla, na adolescência dos seus agora 15 anos, já demonstra apreciar uma plena liberdade, o que muito preocupa Seu Anselmo, que passou a se incomodar de uma maneira doentia com as saídas de Karla, cada dia mais constantes. Karla mudou de maneira radical quando completou 17 anos, e uma revolução criou-se no lar do casal Anselmo e Carlota.

As coisas se complicaram quando o Seu Anselmo descobriu que Karla, que cuidava da casa de uma filha do casal, numa certa noite recolheu pessoa do sexo oposto, e, certamente, ali transaram. Avisado do acontecido, talvez por ciúme ou cuidado excessivo, Seu Anselmo virou um "bicho" e tentou obter explicações de Karla, tendo durante a conversa sido entendido que, do momento em diante, Karla poderia agir da mesma forma, até mesmo com o Seu Anselmo!

Dona Carlota, que soubera do caso através do marido, também virou uma "fera", principalmente contra o Seu Anselmo. Na ocasião, Dona Carlota chegou a afirmar que Karla seria amante de Seu Anselmo, baseada no procedimento descontrolado do marido. Após algumas crises, Karla deixou a casa, mudando para novo emprego.
No final do ano desses acontecimentos, o casal Anselmo e Carlota deliberou convidar Karla para voltar.

Karla concordou, já que, segundo constava, estava sofrendo muito, pois não se deu nada bem com o novo emprego, com horários e serviços excessivos e tendo que dormir em sua casa, o que causava enormes transtornos até na vida escolar. Com o retorno de Karla, houve a promessa da liberdade que pretendia, sendo permitido sair e voltar para casa na hora e dia que bem entendesse.

Evoluindo sempre nos estudos, Karla atingiu a maioridade dos 18 anos e crescendo em charme e sabedoria, jamais abandonou seus princípios de liberdade. Passou a frequentar ambientes dançantes e noitadas intermináveis. Namorou, ficou, transou, fez tudo que julgou ser direito e que simbolizava a tão sonhada "liberdade". Inteligente, nunca negligenciou no que diz respeito ao estudo e leituras as mais diversas.

Por outro lado, Carole se perdeu no caminho percorrido, desviando-se por estradas tortuosas. Quanto Karla, hoje com 21 anos, embora tenha um teto e pessoas para conviver prefere mesmo ignorar o lar que a acolheu, nele permanecendo uma ínfima parcela dos seus dias e horas. Seu Anselmo mudou a sua maneira e procura entender de uma forma mais racional o comportamento de Karla. É certo, porém, que jamais se conformou com esse procedimento, nunca negando estar frustrado em não conseguir uma maior aproximação. Mas, só DEUS sabe o verdadeiro sentimento do Seu Anselmo, além de Karla, é claro...

Cada pessoa que passa em nossas vidas passa sozinha, mas não vai só, nem nos deixa sozinhos - leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesma.

Voltando no tempo...

Josefina, desde que concebeu Karla e Carole, sempre se preocupou em dar-lhes uma vida diferente da que conheceu. Começou por colocá-las na escola a fim de que com o estudo uma melhor oportunidade de progresso se apresentasse. Karla, de pouco falar, mas com muita vontade própria, agarrou-se logo a esta chance e sempre se dedicou em melhorar o seu conhecimento. Carole, pelo contrário, nunca se interessou. Karla devorava com extrema facilidade toda a leitura que favorecesse a sua ânsia por conhecimentos, frequentando constantemente a biblioteca pública onde o acesso à cultura ficava facilitado.

Karla e Carole, desde a adolescência, já sonhavam com plena liberdade. Mas afinal, o que é a verdadeira liberdade? Será algo como fazer tudo o que nos vem à cabeça, sem medir consequências? Carole procurou encontrar a sua "liberdade" desviando-se por caminhos que certamente levam a um aprisionamento de cujas correntes só nos libertamos com muita força de vontade, amor e carinho.

O que faltou a Carole? Com certeza maior contato com a mãe, a compreensão das famílias com as quais conviveu, a presença do verdadeiro AMIGO, o apoio da sociedade, e muito amor! Nem mesmo Karla pôde fazer por Carole o necessário. Ambas seguiam caminhos parecidos, mas Karla soube safar-se de males maiores.
Passava o tempo. E como o tempo voa...

Karla e Carole foram se entregando aos prazeres que julgavam perfeitos, tudo em nome da esperada Liberdade! Temos o direito de julgá-las? A adolescência tem a sua própria força, o que pode ser positivo. Muitos atos praticados nessa fase representam um protesto às represálias. Alguns deles são uma cópia do que fazem os adultos como sendo natural, mas não permitido aos adolescentes.

Faltou o diálogo adulto-adolescente para juntos detectar a falha. Esclarecer a diferença entre sexo e sexualidade. O que é praticar sexo e o que é promiscuidade.
Os cuidados sobre drogas e más companhias. Competir em todos os campos sempre foi o forte do adolescente. Por que deveria ser diferente com Karla e Carole? Como culpar inteiramente o adolescente que tem acesso a todo tipo de informação e ávido de conhecimento opta às vezes pela má informação? Nesse ponto sentimos a deficiência da escola, dos pais e da sociedade que descuidam da orientação.

Carole que sempre mereceu algum tipo de atenção nos lares em que viveu, acabou ignorada. Que conseqüências virão? Karla, talvez assustada com os primeiros percalços da adolescência, tornou-se desconfiada e evita contatos no lar que a abriga preferindo viver seu tempo longe de casa. Seu Anselmo procura insistentemente uma aproximação maior com Karla, que se mostra sempre arredia.
Seu Anselmo demonstra carinho e afeto especial por Karla, que sempre representou a menina dos seus sonhos de antanho, e que ainda permanecem vivos. Afinal, por que nos afastar de nossos sonhos? Se eles se forem continuamos vivendo, mas, teremos deixado de existir.

Karla passou a se afastar cada vez mais de Seu Anselmo. Certas atitudes dos adultos são, na opinião dos adolescentes, incoerentes ou desastrosas. Seu Anselmo, embora mantendo um espírito jovial, sempre representou para Karla uma geração ultrapassada pela idade. Quanto a Dona Carlota continuou apoiando Karla, tratando-a como a uma filha, tipo de sentimento que Seu Anselmo nunca conseguiu conciliar.

Karla, no afã de desfrutar da sua independência, sempre procurou atividades que lhe reservassem mais tempo, e, embora se dedicando continuamente aos estudos, nunca aplicou seus conhecimentos no sentido de obter melhores empregos, com melhor remuneração. Com o dia todo ocupado pelo trabalho e estudo, Karla só consegue tempo para a prioridade da vida livre, adorando permanecer longe de casa envolta pela noite e madrugadas adentro.

Como dizer a esta moçoila, com anseios infindáveis de uma liberdade perene, que outras prioridades também existem e devem ser observadas? Como fazer Karla entender as maneiras mais corriqueiras do nosso cotidiano? Instrução aprende-se nos bancos escolares. Educação vem do berço ou da força de vontade individual, e a vivência (boa ou má) aprendemos na escola da vida.

Karla vive aparentemente momentos felizes. Vai bem nos estudos, parece satisfeita com o trabalho que executa e com a liberdade que desfruta. Não é importante acumular uma grande quantidade de conhecimentos, mas aplicar os que tiver obtido no benefício próprio e da coletividade, mas Karla, aproveitando ao máximo a sua liberdade, pretende claramente saber mais e mais a respeito da vida livre que sempre sonhou para si.

A vida dará a Karla oportunidades para continuar matriculada na sua escola onde o mestre é o tempo. O que acontece conosco são consequências, já que na natureza não há recompensas nem castigos.

ÉPOCA: 1998
Copa do Mundo, Brasil Penta! (Quem sabe?).
Ano de eleições presidenciais. Presidente reeleito? O povo sabe... Mas, quem sabe sobre Carole? Onde andará?

Karla, com certeza, tem procurado encaminhar Carole, mas e o seu próprio caminho?
Seu Anselmo e Dona Carlota comentam e se preocupam. A vida escolar de Karla parece boa, como sempre aconteceu. Mas por que se afasta de casa cada dia mais? Conversar com Karla torna-se cada vez mais difícil. "Não tenho tempo..." Passar algumas horas de distração em casa, nem pensar. Afinal, ficar em casa para que?

Infindáveis telefonemas procuram por Karla, até durante as madrugadas. Karla está certa em querer viver bem o momento presente. Vivê-lo bem também significa preparar bons momentos para o futuro. O futuro se acelera magicamente. De que forma Karla chegará lá?

Alguém bate à porta. É Josefina.

"Karla está?"

A resposta é sempre a mesma. "Não chegou ainda".

E a rotina diária se repete... A preocupação de quem a quer bem. "Onde andará?"
Só Deus e Karla podem responder.

ANO 2007
Josefina: "Karla, ligue o aquecimento central. Estou com muito frio".

Karla: "Já vou mamãe, estou dando as ordens para a nova babá como deverá cuidar das crianças".

Karla, agora com 30 anos, casou-se muito bem. Mora numa ótima casa, com todo o conforto. Mãe de duas lindas crianças continua interessada em trabalhar fora, numa pequena indústria mantida pelo marido.

Josefina, envelhecida pelo sofrimento, cuida das duas meninas, pois morando com Karla procura ajudá-la em tudo que é possível. Carole mudou-se da Cidade e não deu mais notícias. Dizem que também se casou, mas não foi feliz no casamento. Seu Anselmo e Dona Carlota sentiram muito a saída de Karla, mas estão alegres por saberem que está bem casada e com ótimo padrão de vida.

Karla, muito raramente, faz visitas ao casal. Mantém o mesmo temperamento. Ouve bastante e fala muito pouco, na maioria das vezes para responder perguntas.
Muito bonita e charmosa, Karla confessa-se satisfeita com o casamento e com a situação, feliz pela vida atual. Agora com novo conceito sobre o que representa a verdadeira liberdade, procura levar a vida com alegria vivendo sempre bem o dia de hoje. O temperamento de Karla jamais lhe permitiu preocupar-se com o dia de amanhã.

E as duas meninas? Certamente Karla irá dispensar às filhas o maior carinho. Fazer tudo para dar-lhes o que não teve. Terá Karla já imaginado uma filosofia de vida para as filhas? Como agir para educar as duas meninas? Dar-lhes a total liberdade que sempre quis para a sua própria vida? O que a escola da vida ensinou a Karla que possa transmitir para as filhas? Dificilmente aprendemos com a experiência dos outros e sim com a nossa própria.

Assimilamos mais facilmente aquilo que acontece conosco, motivo por que os conselhos raramente funcionam. Mas a formação boa ou má pode depender da maneira como fomos educados desde o berço e assim influenciar decididamente o nosso futuro. Karla com a vivência adquirida saberá como encaminhar as duas meninas.
Dez Anos Depois...

Josefina: "Karla, estou tão desanimada hoje, me sinto muito mal, não sei se poderei levantar..."

Karla: "Ora Mamãe, não se preocupe. Fique deitada. Vou levar as duas meninas ao colégio e voltarei logo".

Josefina anda muito doente e os médicos acham o seu estado preocupante. Karla faz tudo que é necessário para que a mãe tenha uma boa saúde. As duas meninas crescem em graça e sabedoria e muito esforçadas progridem rapidamente. Indiara com 13 anos e Indianara com 10, são muito parecidas com Karla. Estudiosas e inteligentes, são sempre as primeiras da classe. Karla que sempre foi de pouco falar, agora conversa muito com as duas meninas e orienta-as em tudo.

Lembra sempre, com muita saudade, daquelas duas meninas, trinta anos atrás... E seu olhar parece procurar alguém... Carole? Karla segue o princípio de ser amiga das filhas. E elas sabem que amigo mais fiel é impossível. Sentem também, que os amigos fiéis são como o sol, não precisa aparecer todos os dias para saberem que existe.

E quando Karla as repreendem entendem que é porque o nosso verdadeiro amigo é aquele que não nos desculpa nada e nos perdoa tudo! Karla, que pensava nunca se casar, revela-se mãe pra valer!

Na casa do Seu Anselmo...

Karla: "Anselmo, como vai? Apesar da idade você está muito bem! Senti uma vontade estranha de fazer-lhe esta visita..."

Anselmo: "Que alegria incomparável por recebê-la! Alegria maior ainda por me tratar de VOCÊ com tanta intimidade... Sobre minha idade, alguém já disse que existem velhos de 20 anos e jovens no vigor dos 80 anos. Juventude, minha cara, não é uma época da vida, mas uma qualidade da alma. Jovem é quem sempre acalenta ideais de renovação. Aproxima-te, quero te dar um beijo!".

Karla: "É exatamente o que quero fazer!"

Anselmo: "Como desejei este momento, toda a minha vida! Meu coração está saltitante de felicidade!"

Karla: "Anselmo, eu..."

Anselmo: "Não Karla, por favor, não diga nada, deixe que este momento maravilhoso fale por nós... Não se vá, fique mais um pouco... Karla, Karla, Karla"

Carlota: "Anselmo, Anselmo, acorde... Você chamou por Karla várias vezes. O que te preocupa?"

Anselmo: "Não sei, há tempos que Karla não nos visita. Demonstrei minha preocupação em sonho. Ela estará bem?"

Carlota: "Um dia desses ela lembrará de nós..."

Anselmo: "Acho que vou telefonar para saber como vão Karla e as duas meninas. Adoro aquelas meninas".

EPÍLOGO
Qual o caminho que a estrela aponta? Todos os caminhos nos levam a algum lugar.

Cinco caminhos são infalíveis:
AMOR-FRATERNIDADE-SOLIDARIEDADE-ESPERANÇA-FÉ
Nossa história pretende que estes sejam os caminhos.

CAROLE: Ninguém sabe do seu paradeiro. Que caminho terá escolhido?. Dizem que a viram em algum lugar. É mãe solteira, vive para o filho, e, quem sabe? - pode ter retomado o caminho certo.

KARLA: Nunca mais visitou o casal Anselmo e Carlota. Que caminhos faltaram?

JOSEFINA: Seguiu todos os caminhos. Assim suportou os sofrimentos e foi perdoada dos erros cometidos.

ANSELMO: Acreditou em todos os caminhos. Começou pelo último tentando sempre chegar ao primeiro.

CARLOTA: Seguiu todos os caminhos e perdoou sempre. O amor não tem idade: está sempre nascendo (Pascal)

Só Deus acerta tudo; o máximo que podemos fazer é não errar tudo. (autor desconhecido).


Reporte abuso COMPARTILHE No Twitter No Facebook

Todos deste(a) repórter

Publicado pelo(a) Wiki Repórter
aceemebe
Guarapuava - PR



Faça seu comentário - nome e cidade são obrigatórios
 caracteres restantes
Digite o código para validar o formulario

Trocar imagem
Quero ser inserido sempre que este autor inserir um novo post
Quero ser inserido sempre que um comentários for inserido neste post

Se você é um wiki repórter, faça o login e seu comentário será postado imediatamente.
Caso não seja, seu post entrará na lista de moderação de BrasilWiki!
Use a área de comentários de forma responsável.
BrasilWiki! faz o registro do IP (número gerado pelo computador de acesso à internet) de usuários para se proteger de eventuais abusos.
Ao selecionar acompanhar comentários do post ou post do autor, é obrigatório o preenchimento do campo email e não é necessário fazer o comentário.


©1995 - 2013. Brasil Mídia Digital

jb.com.br