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Política

O conto da cobra que fuma

356 acessos - 0 comentários

Publicado em 10/09/2011 pelo(a) Wiki Repórter anônimo, Brasil - BR



  - Foto: MARIA LOPES DE ARAUJO
No começo, a Historia conta que por aqui tudo eram selvas e gente nua (literalmente), e nada conheciam além da natureza farta com paisagens e pureza.
Um dia, essa gente avistou um objeto enorme vindo pelo mar, tiveram tanto medo, tanto medo que correram alarmados a chamar pelo cacique. O líder foi o primeiro a se aproximar dos seres diferentes, brancos, barbudos, esquisitos e também o primeiro a com eles negociar a aceitação dos elementos que nos aportavam. Cacique foi ’desdobrado’ com espelhos e correntinhas. Acorrentou-se! A cobra acende o pito.
De outra banda, os homens queriam a riqueza, ouros, minas, virgens, madeira... e de tudo levaram, deliciaram-se com o cheiro do manacá, quiseram a terra, fincaram muito no lugar, até uma cruz de madeira onde uma raça seria crucificada.
No meio dos branquelas, tinha um agente escrevedor, de índole meio frouxa e que fez uma carta enorme para El Rei Dom Manuel, cheia de mimos bajulentos, na qual apresentava o deslumbre por tudo o que seus olhos contemplavam, do azul do mar à nudez das indiazinhas. Escreveu a redescoberta de um novo Éden, cheio de adões ingênuos e evas cor de cobre e de cabelos negros.A cobra baforou forte!
Passado esse capítulo, o rei protagonizava do outro lado do mar a glória portuguesa, teria de onde cavar recursos para suprir sua indolência, soberba e falta de planejamento. Encontrara jeito de enriquecer fácil e para onde mandaria amigos íntimos para dominar o mundão, junto com inglórios malfeitores para limpar o torrão portuga. Aos poucos, foi-se misturando tudo aos nativos que, embora arredios, amoleciam diante da pólvora e das prendas. Começava, assim uma saga de medo e corrupção que se combinaram tão bem nesse primeiro momento. Houve um arraso sem precedentes. E a cobra fumou!
Mas a terra era grande e cabia os escolhidos, ora a dedo, ora a olho ou a cifra de forma que agradasse a Majestade. E os pretendentes do novo continente aproveitavam suas razões para embarcarem: uns, por pura curiosidade, outros, para fugir dos granes enfados que até podia ser a própria esposa, largando-as pra sempre.
O rei, precavido, pensou em tudo, até em mandar religiosos para pregar a esses “favoritos” que se pecassem, perderiam o paraíso, mesmo assim era um desafio chegar a esse ceuzinho, apelidada de Terra de Sta. Cruz. Enfrentavam perigos, tormentas, não poucos viram findos os sonhos e a própria existência. Um deles foi o contraparente de Cabral, D. Pero Fernandes Sardinha, constituído bispo ainda no primeiro governo geral (de Tomé de Sousa), náufrago e degustado por silvícolas antropófagos aos brindes de aluá. Esse, pelo menos, não se cagou. *
A história prosseguia e, gemendo, os índios derrubavam suas matas densas de madeiras diversas, sobretudo a de cor encarnada que daria nome ao Brasil, a preferida entre as demais. Além disso, levavam peles, bichinhos, houve tráfego e tráfico. A cobra viciada fumou mais!
Nesse imenso território montaram vilarejos, pontos de comércio, igrejas, famílias, tudo sob a tutela portuguesa rigidamente amparada pelos “linhas diretas”.
Com base nessa História longa que vem de 1500 até hoje, algumas coisas se mantêm com altos indícios de similaridade, então vejamos um exemplo vivo do reflexo sociológico nas incompatibilidades: Um dia Colombo descobriu a América, nome que homenageou um navegante posterior, sem nexo com o fato da descoberta e muito espertinho, Américo Vespucci. A Colombo, lembra-se- lhe com o conto do “ovo”. Só um ovo! Teve ainda a saga de Fernão de Magalhães, que deu a volta em torno da Terra, deixando seu legado aos grandes navegantes, contudo, a si foi dado o nome de um “cabinho” que adentra o Pacífico.
Hoje, reis continuam dando as cartas e influenciando decisões sérias, o modo de escolha para cargos não se rege (majoritariamente) pelo princípio do mérito cognitivo. O principal critério é o que parte do quociente afetivo, reduzível, alienável, barganhável, puxassaquista etc e tal.
Nas esferas do poder, existem “las muchas pelotas” que ’subvivem’ para avançarem no campo dos adversários, mas, encerradas as partidas, são descartadas.
Nas repartições públicas, apesar dos processos de peneiragem rigorosos para formar o contingente efetivo, existem pólos maciços de bobos da corte, escrivães, condutores e massa de manipulação e, aos rebeldes, a cobra fumante!
Compilando: um rei corrompeu seus aliados e recrutas a tomarem conta de um tesouro; corrompidos, chegaram e corromperam os donos da casa que corromperam os mais ingênuos para ajudar os intrusos, coquetelando ipê com urucum, luares e pomares brasileiros. Tomaram de cá, deram lá. E hoje!? A cobra fuma enlouquecida!
E nós rimamos:
Cobra,
Tempo de sobra...
Ânimo que recobra.
Cobra que fuma... (que rima com quê?)

Julho-2010
M. Lopes- IFCE-Iguatu

*- quando a vítima a ser sacrificada expressava medo, “covardia”, não costumava ser comida pelos indígenas, que queriam do “ser-alimento” herdar as virtudes.

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