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Humor

"A mulher com três peitos"

3082 acessos - 0 comentários

Publicado em 27/01/2011 pelo(a) Wiki Repórter mauro carlos, São Paulo - SP



      Começava eu a advogar, lá pelos idos da década de 90, e fui enviado para Brasília para resolver umas pendengas doloridas. Jovem e curioso, e por conta da amizade feita com um dileto advogado de lá, fui levado a visitar uma instância meio religiosa meio fantástica, intitulada “seita da dona Xana” ou seita da dona Lala” ou da “dona Lola”, já que o nome certo mesmo eu não lembro. “
 
Mas lembro de coisas algo interessantes que ouvi e aprendi, e que agora, na fase que atravessamos, começam a fazer total sentido. É como se alguém tivesse me contado uma piada há quase vinte anos atrás, e que só agora eu começasse a entender e a achar graça, embora ainda não conseguisse rir por completo.
 
A seita da dona Fafá, ou sabe-se lá como se chamava ou ainda chama, pois acredito que tenha prosperado e se transformado em uma potência religiosa; tinha segundo me lembro, uma sede em uma espécie de construção no puxado de uma caverna, uns cinqüenta e poucos quilômetros de Brasília, onde se davam as atividades e estudos principais. Desse templo cavernal só lembro de ter visto uma foto e uns desenhos, inclusive de labirintos e passagens internas. Tudo muito bem bolado; matemático até. E havia, em Brasília mesmo, um escritório de representação, em que ficavam vários discípulos, homens e mulheres que encontrei e que me deram bastante atenção, vestidos em uma espécie de burca e de cabeça raspada. Com eles tomei chá e comi algumas frutas secas, e deles ouvi histórias, e aprendi sobre os princípios e previsões da seita.
 
Eram pessoas que viviam agregadas e dividiam tarefas, e procuravam ter o maior contato com a natureza possível. Alimentavam-se de vegetais e se viravam lá entre eles, em todos os sentidos. Acreditavam basicamente que sob a superfície da região de Brasília ou do Planalto Central, naquele momento, se desenvolvia uma civilização subterrânea, e que por volta do ano 2013 o mundo inteiro, ou seja, o Planeta Terra, que é o que nós realmente conhecemos, iria ser alagado, tipo o que se passa naquele filme 2012. Pois bem, após o alagamento total do planeta e a morte de todos os seres humanos, e depois que baixassem totalmente as águas, a civilização subterrânea, totalmente desenvolvida, submergeria, e comporia a nova civilização do Planeta Terra, iniciando assim um novo mundo.
 
Explicaram que a razão para o desenvolvimento desta civilização bem abaixo da cidade de Brasília, era que o Brasil era um País de intensa miscigenação, e que Brasília, em virtude do fluxo migratório das diversas partes do Pais, havia se tornado o supra-sumo desta miscigenação, permitindo assim o desenvolvimento uma raça ou espécie tanto mais resistente quanto mais humanizada, apta a prosseguir ou reestruturar, digamos assim, o processo civilizatório.
 
Ao perguntar se as pessoas de debaixo da terra eram fisicamente como nós, recebi a resposta de que eram muito parecidos, e que as maiores diferenças eram o fato de que a maioria das mulheres tinham três peitos e dois regos. Nisso fiquei muito interessado na época e quis saber o motivo dessa diferença, mas ninguém soube me explicar, e ficaram me enrolando e dizendo que esta verdade era reservada aos membros de maior escalão e mais isso e aquilo até que aceitei como uma espécie de totem.  
 
Como estava, já naquele momento, instado a aderir ao clã da Xana e a largar de vez a advocacia, perguntei então qual seria a vantagem da aderência ao regime da seita, uma vez que pelo que eu havia entendido, quando viesse a enchente, todo mundo aqui de cima iria para as cucuias mesmo! Foi aí que explicaram as vantagens da adesão. Havia, já naquela época, um intercâmbio entre o pessoal de baixo e de cima da terra. Havia já pronta e acabada um espécie de passagem entre os dois ambientes na parte baixa da caverna do templo sede da seita; e, quando dalí alguns anos, chegasse a hora do alagamento final, os discípulos de cima da terra que fossem escolhidos desceriam para preservar sua vida e fariam parte do novo descobrimento, do novo mundo. Fui convidado até para um contato com algumas mulheres de três peitos e dois regos, que poderia ser agendado, e que ocorreria na sede cavernal. Tudo muito estimulante.
 
Mas saí de lá, e embora muito atarantado e impressionado com tudo aquilo, meu mundinho de prazos e audiências me absorveu totalmente, e de lá para cá nunca vi mulher nenhuma com dois regos. O meu amigo Decão, no entanto, que por estar em Brasília na mesma época por conta de umas auditorias visitou a sede cavernal da seita, me garantiu que as tais mulheres estavam lá e que era tudo absolutamente verdade.
 
Como já disse, o tempo passou e fiquei nesse meu mundinho chato em que tudo mundo é igual, e que por baixo da terra só o meu carro estacionado no subsolo do prédio. Até cheguei a esquecer totalmente dessa história toda. Mas dias atrás, uma coisa impressionante aconteceu, capaz de me lembrar de tudo aquilo, e de me fazer a começar a acreditar que o fim está realmente próximo. Encontrei com uma amiga minha, quarentona como eu, que como todas as quarentonas que tem por aí, estão cada vez mais bonitas, e que me disse que ficaria uma semana afastada do escritório, porque iria fazer uma plástica em seus seios, o que já deve ser a sua terceira ou quarta. E no final, disse que dessa vez havia ido lá no maior banbanban que pode existir neste mundo por cima da terra e que havia advertido o cirurgião que queria algo realmente diferente.
 
Foi quando então, distraidamente, resolvi intervir dizendo a ela que isso não tinha jeito não, já que os peitos hoje em dia, e em especial os 97% siliconados, são todos iguais, talvez mudando um pouco o tamanho e a cor, e concluí:
 
-- Olha querida, pra ficar diferente, só se o tal te colocar três Peitos!!?? 
 
E nesse minuto baixou um raio em minha mente. Baixou as lembranças de tudo aquilo que estou contando aqui. Era óbvio que estávamos próximos do fim! Não tardaria a começar a aparecer a novidade. Mulheres lindas e diferentes, com três peitos e dois regos, e talvez com quatro umbigos. E as enchentes, as inundações, as águas que não tem para onde ir, enquanto os políticos banqueteiam com o dinheiro do povo! E até o ano marcado estava próximo! Está tudo relacionado. Deixei a moça falando sozinha e saí a caminhar, atônito, compenetrado, como se buscasse um contra-argumento ao que era mesmo óbvio; a seita era a verdade, o caminho estava traçado. Parei em frente a uma igreja e foi quando me veio um raciocínio óbvio, bradado em voz alta no meio da calçada na Rua da Consolação:
 
-- É isso: uma mulher de três peitos, bem recheados de silicone, conseguirá boiar sobre as águas!!
 
Mauro Tavares Cerdeira
 

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