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Esportes

O que o Brasil precisa para o esporte

1119 acessos - 0 comentários

Publicado em 13/01/2011 pelo(a) Wiki Repórter Didymo Borges, Recife - PE



Sem instalações esportivas não é possível desenvolver esportes de alto rendimento. O centro de treinamento da seleção de vôlei em Saquarema (RJ) é um exemplo de que, para chegar à excelência, precisamos investir em instalações esportivas. - Foto: Dreamstime Photos
 Um questionamento crucial é argüido quando se considera a intervenção de amparo aos esportes pelo poder público. A questão é determinar o direcionamento das aplicações dos recursos públicos no incentivo às atividades esportivas. Existem os que, falaciosamente, apregoam que os dispêndios públicos deveriam ser direcionados prioritariamente para o esporte amador de tal forma a beneficiar o maior número de pessoas. Outros consideram que devem ser priorizados os esportes de elevado nível que nos meios esportivos são denominados “de ponta”. No Brasil, que só recentemente começou a aplicar dinheiro público nos esportes, nós ainda estamos discutindo como otimizar os resultados como consequência do incentivo público à prática esportiva.

Na verdade não podemos definir a orientação que se deve dar ao dinheiro público aplicado nos esportes se não considerarmos a cultura política do país. Não podemos deixar de considerar que as decisões podem ser influenciadas pelo viés corrupto-fasci-corporativista que preside a práxis política brasileira. Sem abordar o problema de forma realista e objetiva não será possível chegar a conclusões factíveis, exequíveis, realistas.

Estas considerações são importantes para considerarmos que a tendência é a adoção de viés populista sob o argumento de que devem ser evitados os privilégios de natureza elitista. Assim, pode-se concluir que os praticantes denominados de “elevado desempenho” não deveriam ser amparados por políticas públicas de amparo aos esportes. Ora, tal concepção encerra um equívoco crucial: um atleta de elevado desempenho como César Cielo não pode ser considerado “elitizado” por alcançar desempenho tão admirável. Nem tampouco ser “elitizado” o atleta de melhor desempenho por ser de família com mais elevado nível de renda.Cielo é apenas o resultado de investimentos na natação que é praticada por jovens de todas as categorias de classe social, de famílias de todos os níveis de renda. Sem investimentos devidamente orientados por critérios saudáveis não seria possível atingir o nível dos resultados pela natação brasileira nesta última década o que é um indicativo de que este trabalho deve ter continuidade.

Nos esportes a qualidade é resultado inequívoco da quantidade. A qualidade do futebol brasileiro é resultado da massificação da prática do futebol no país. Se o investimento for feito simplesmente para assegurar a massificação da prática do futebol sem investimento na qualificação dos atletas haveria uma quebra na cadeia que leva ao desempenho elitizado. Felizmente o futebol braasileiro tem evoluído apesar do descaso do poder público. Outra evidência da correlação estatística posiiva entre quantidade e qualidade está nas potências olímpicas onde existe massificação da prática dos esportes.

O modelo da infra-estrutura esportiva brasileira é a “clubísta”. Diferente dos Estados Unidos onde as escolas e as universidades provêm a necessária infra-estrutura para a massificação da prática esportiva, a estrutura brasileira é fundada nos clubes o que é decorrente da nossa cultura que descurou de prover a rede escolar e as universidades de instalações esportivas. A estrutura “clubista” tende a elitizar a prática esportiva vez que os clubes são entidades privadas que demandam um custo mensal para ser sócio. Esta é uma indicação de que a infra-estrutura deve ser desenvolvida e fortalecida proporcionando meios para a construção de instalações esportivas na rede escolar pública.

Por fim, e não menos importante, devemos decidir entre o custeio e o investimento no setor esportivo. Se os recursos forem encaminhados, pelo critério populista, para o que se chamaria de prática massificada, ignorando os atletas “de ponta”, estaremos renunciando ao sonho de nos tornarmos uma potência olímpica. Os recursos são escassos e a aplicação deles deve ser otimizada. Se definirmos o custeio como o dispêndio nos incentivos aos esportes de elevados índices, devemos preferencialmente alocá-los para assegurar o desenvolvimento dos atletas de alta performance. O restante seria melhor alocado na construção de instalações esportivas escolares. Sem desprezar de todo a concepção “clubista” devemos fazer o possível pela massificação através do desenvolvimento da prática dos esportes nas escolas e nas universidades. Falta, entretanto, política pública que proporcione os meios para tal fim. Falta, por exemplo, linhas de crédito para as escolas particulares serem dotadas de instalações esportivas. Sem instalações esportivas nas escolas continuaremos capengando no modelo “clubista” que sabemos ser ineficaz para alcançarmos o patamar de potência olímpica.

Didymo Borges
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Folha de S.Paulo- 10/01/2011
O ESPORTE PRECISA DE POLÍTICAS PÚBLICAS
Alberto Murrey Neto

Esporte de alto nível não deve ser função estatal em países carentes de outras prioridades: o Estado deve despejar os seus recursos no esporte para todos


As autoridades recém-empossadas devem criar políticas públicas de esporte social. É preciso mudar a mentalidade esportiva do país.
Nosso edifício esportivo está alicerçado nos clubes. Essa estrutura vem se desfazendo rapidamente.

É essencial que encontremos caminhos seguros para o esporte olímpico. As dificuldades de transporte em metrópoles como São Paulo e entraves econômicos afastaram os atletas dos clubes. E estes, com raras exceções, restringem as suas atividades desportivas, sem que haja contrapartida.

O setor privado encolheu as possibilidades da prática da educação física e o Estado não agiu para compensar essa falta. A escola é o campo em que se deve semear a implantação da mentalidade esportiva.

Esporte de alto nível não deve ser função estatal em países carentes de outras prioridades. O Estado deve despejar os seus recursos no esporte para todos. Não que o Estado deva estar completamente alijado do esporte de alto rendimento.
Mas, em vez de sustentá-lo, deve assessorá-lo, defendê-lo, possibilitá-lo.

O desenvolvimento do futebol é pura consequência daquilo que constitui o fundamento da minha tese. Desde criança, o contato com a bola como um brinquedo forma no brasileiro a intimidade com o futebol. Por que não fazer o mesmo com outras modalidades?
É preciso vontade política. As escolas públicas devem ter praças esportivas adequadas para professar aulas de educação física prazerosas aos alunos. A cadeira da educação física deve ser inserida na grade escolar com a mesma relevância das demais disciplinas.

Cabe ao Estado firmar convênios com as universidades, para que os alunos aprendam os valores olímpicos. O Estado também pode influenciar os clubes para que retomem as atividades desportivas e aceitem em seus quadros atletas militantes, das camadas pobres da população. Praças esportivas públicas devem ser colocadas à disposição em horários alternativos, até mais tarde e com segurança.

Competições de massa, como os Jogos Abertos do Interior, devem ser valorizadas. Seria bom refundar as "turmas volantes esportivas", como fez São Paulo no passado, em que atletas das capitais percorriam o interior fazendo "esporte de demonstração" para difundi-lo.

Esporte é educação, saúde, desenvolvimento e meio ambiente.
Não há como dissociar o esporte dos demais setores governamentais. As pastas de esporte devem agir em conjunto com as outras, por convênios, buscando propagar a educação física como um fator fundamental para o crescimento sustentado do país.

A USP possui excelentes centros de treinamentos, que não são aproveitados. O Cepeusp, projetado para os Jogos Pan-Americanos de 1975, que seriam em São Paulo, está absolutamente sucateado. Isso mostra que o esporte não tem sido prioridade. É necessário recuperá-lo e torná-lo um centro de desenvolvimento do esporte universitário.

Em 1939, quando o esporte no Brasil era uma atividade desregulamentada, Sylvio de Magalhães Padilha, atleta finalista olímpico, criou o Defe (Departamento de Esportes e Educação Física). Foi o embrião da Secretaria do Esporte.

Fizeram-se as primeiras leis do esporte, regulamentou-se a atividade do professor de educação física.

Criaram-se competições de massa.

Os conjuntos desportivos Baby Barioni e Ibirapuera foram feitos para atender ao povo da cidade. Após isso, muito pouco foi feito. São Paulo precedeu a União na criação de políticas públicas no esporte.

Defendo uma Agência Nacional de Esporte independente e dirigida por técnicos, para colocarmos em prática a política pública desportiva de longo prazo.
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ALBERTO MURRAY NETO, 45, é advogado, árbitro da Corte Arbitral do Esporte, na Suíça, diretor da ONG Sylvio de Magalhães Padilha e autor do blog Alberto Murray Olímpico ( www.espn.com.br/albertomurrayneto ).

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Didymo Borges
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