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Política

Ciro promete barulho

452 acessos - 0 comentários

Publicado em 13/10/2009 pelo Wiki Repórter Soares, Divinópolis - MG





Ciro e seus aliados paulistas: o que ele quer é o Planalto. - Foto: Montagem- Soares

Quando se imaginava que o panorama das próximas eleições presidenciais ficaria reduzido ao embate entre a candidatura oficial, representada pela ministra Dilma Rousseff, e o candidato da oposição, José Serra, eis que se apresenta, mais uma vez, Ciro Gomes.

Personalista e voluntarioso, Ciro Gomes pertence àquela linhagem de políticos brasileiros, da qual os representantes mais ilustres são Jânio Quadros e Fernando Collor. Para essa gente, partido político é meramente uma escada que se usa e se descarta de acordo com as circunstâncias; programa partidário é algo que só serve para ser usado durante as campanhas eleitorais e convenientemente esquecido depois; e ideologia é coisa de intelectual elitista distante da prática política.

Ciro é um daqueles políticos que não joga para o time, mas quer que o time jogue para ele. Mesmo que o time seja pequeno, como é o caso do PSB, ao qual está filiado, e escolhido por ele para dar sustentação legal às suas pretensões nada modestas. Ciro quer porque quer o Planalto. Apresentou-se como candidato presidencial pela primeira vez em 1998, e ficou em terceiro lugar com 10,9% dos votos, o que foi considerado um ótimo resultado, considerando-se que era até então um ilustre desconhecido.

Em 2002, voltou a concorrer. Chegou a liderar as pesquisas no primeiro turno, quando o seu temperamento intempestivo se exacerbou: cometeu grosserias contra eleitores e contra a sua mulher, Patrícia Pillar, e foi ultrapassado por Lula, José Serra e Anthony Garotinho. Derrotado, aliou-se de imediato a Lula, que na campanha havia sido chamado por ele de ignorante e despreparado, e foi premiado com um importante ministério no primeiro mandato do petista.

Como ministro, manteve uma postura discreta e fidelidade ao líder petista, quem sabe na esperança de ser ungido por ele como candidato da base aliada. Mas, como sabemos, Lula tinha outros planos, e dentro deles a candidatura de Dilma Rousseff. Desde então, Ciro tem se dedicado a um malabarismo político de tal ordem que poucos são capazes de prever o resultado.

Mesmo sem o apoio de Lula, insiste em se apresentar como uma espécie de segunda opção da base governista por querer usufruir dos frutos que acredita ter ajudado a produzir, e por acreditar que Dilma não tem carisma nem bagagem para derrotar José Serra. Ao se apresentar para a disputa, Ciro joga com a possibilidade de desbancar Dilma ainda no primeiro turno, e colocar, por falta de opção, Lula e toda a máquina governamental a seu serviço no segundo turno.

Sob esse ângulo, a mudança de domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, que à primeira vista poderia parecer rendição ao seu projeto presidencial em troca de uma candidatura ao governo do Estado, pode, ao contrário, estar sinalizando que o deputado deseja de fato é construir uma base política minimamente sólida no Estado mais forte da federação, e território de Serra. Portanto, não foi por nada que o PSB filiou figuras como o presidente da FIESP, Paulo Skaf, e o ex-tucano Gabriel Chalita, vereador mais voltado de São Paulo.

Pretensioso, arrogante e autoritário, dono de um discurso provocativo e ríspido, Ciro entrou no jogo para fazer barulho. Mas vai ter que aparar arestas se quiser ser um candidato de fato competitivo. Diante da inexpressividade de Dilma Rousseff e da timidez de José Serra, não são pequenas as chances de que ele venha a ser importante protagonista da próxima campanha eleitoral.

http://blogdofasoares.blogspot.com


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