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Prefácio ao romance "Trilha Amarga"

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Publicado em 18/12/2016 pelo(a) Wiki Repórter A. Zarfeg, Teixeira de Freitas - BA



"Trilha Amarga", de Elias Botelho - Foto: Gilvânio Ferraz
 Coube a mim a grata tarefa de cuidar da edição de “Trilha Amarga”, romance do confrade Elias Botelho que narra as desventuras em série da família Magnavita – ou o segmento dela liderado pelo casal Dinho e Carminha e seus quatro filhos – a saber – Paulo, Zeca, Marcos e Marina. Descendentes de coronéis. Acrescente o casal de ex-agregados Pedro e Rosinha com os dois filhotes.

Eis aí os personagens centrais do livro, os quais desencadeiam as ações que movimentam o enredo da trilha amarga... Entre os personagens secundários ou periféricos citam-se seu Nico, cujo nome verdadeiro é Narciso Prestes de Andrade, os líderes sem-terra Almir, Anistia e Roni, além de Tonga, Valter, Padre Gilson, Zé do Povo, etc.

Aviso aos navegantes: estamos diante de uma prosa politizada ou, se preferirem, engajada. Mais: um romance “à clef”. Literariamente, o estilo é realista à maneira do Jorge Amado da primeira fase ou do Graciliano Ramos de “Vidas Secas” ou, ainda, da Rachel de Queiroz de “O Quinze”.

Dito isso, vamos à cena inicial em que presenciamos a penúria vivida por Dinho, Carminha e seus filhos. No sul da Bahia, Itabuna, anos 80 do século passado.

Pressionado por um empréstimo feito no Banco do Brasil, para financiar a lavoura do cacau, e presa fácil dos agiotas, Dinho se vê obrigado a vender a propriedade rural herdada do pai para pagar as dívidas e ainda economizar algum dinheiro para proporcionar um pouco de dignidade à família, ameaçada pela privação material e moral.

A decisão foi tomada nestes termos: pagar as dívidas, investir o que restar num caminhão Chevrolet, botar a mudança na carroçaria e pegar a estrada – ou melhor, a “trilha amarga” – bem cedinho para que os vizinhos não assistissem à saída da família.

A seguir, os novos sem-terra fizeram o seguinte itinerário: Itabuna – Ubaitaba – Ipiaú – Jequié – Vitória da Conquista – por fim – Itamaraju.

Dessa maneira, podemos fazer duas leituras distintas do título “Trilha Amarga” – uma literal, a outra simbólica.

O primeiro sentido – literal ou denotativo – diz respeito ao percurso feito pelo Chevrolet, que saiu de Itabuna em direção a Vitória da Conquista e cujo destino final acabou sendo Itamaraju, no extremo sul da Bahia, mas poderia ter sido Palmas, capital do Tocantins, conforme plano inicial de Dinho.

O segundo sentido – simbólico ou conotativo – concerne às dificuldades enfrentadas pelos retirantes, digamos assim, que partiram em busca de melhores condições de vida. Essas dificuldades se revelariam de ordem não só material, mas também psicológica; de ordem não só existencial, mas também política.

Fato é que, seja no sentido literal ou simbólico, percorrer a trilha se tornou uma experiência muito amarga para os personagens desta história muito bem arquitetada pelo autor. Durante o percurso, Dinho e seus liderados tiveram que superar muitos desafios, como os problemas mecânicos do caminhão; superar provas, como a prisão dele, Dinho, em Jequié; conviver com o imprevisto, como o testemunho de Pedro da morte de um adolescente, e assim por diante.

No entanto, a grande lição aprendida pelos membros da família Magnavita – antes bem-sucedida e agora decadente – foi sentir na pele os efeitos da perda do status social, bem como da dignidade, e ter que vivenciar os desafios impostos pela nova condição social. Enfim, trocar a riqueza pela pobreza, o conforto pela privação, da maneira mais desafiadora possível: como sem-teto, sem-terra, apegando-se apenas ao fio de esperança que lhes restou.

Nessas circunstâncias, o encontro dos Magnavita com um grupo de trabalhadores rurais sem-terra, nas imediações de Vitória da Conquista, precisa ser visto como algo providencial e premonitório, na medida em que Dinho, que detestava os sem-terra, tornar-se-ia um deles e seria beneficiário da reforma agrária e entusiasta da luta protagonizada pelo MST. Mas o leitor, curioso por natureza, terá que ler a obra para conhecer esses detalhes.

Aliás, uma obra rica do ponto da história e também da expressão, conduzida com talento e conhecimento de causa por Elias Botelho. Uma obra que, ainda que se assemelhe às temáticas de tese socialistas, não abre mão da construção dos personagens e, portanto, da complexidade psicológica deles. Muito pelo contrário. O leitor terá a oportunidade de compartilhar a angústia e os conflitos que marcam a trajetória de Dinho, Pedro, Zeca e seu Nico.

Em “Trilha Amarga”, portanto, o leitor vai acompanhar o desenrolar de uma trama forte e que sintetiza – por que não? – um capítulo importante da história social do Brasil. Afinal, como ignorar a presença do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na Bahia e no Brasil?

Uma vez publicado, este romance reivindicará para si o título de romance do MST ou de romance da reforma agrária. Isso deverá acontecer naturalmente, à medida que a história cair no gosto popular, fazendo jus à atualidade da obra e, sobretudo, ao talento de Elias Botelho. Que assim seja.


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A. Zarfeg
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